Abraça-me assim, esta noite preciso sentir
como nunca meu desejo encontrar
não quem amo e que está por aqui,
mas a mesma que amei e andava por lá
no país da infância, quando conheci
a confusa presença que me fez amar
uma ausência infinita também feita de ti
que em nós nos prendia para nos libertar.
Hoje, embarga a solidão minha amargura
de navegar, no exílio, fera lembrança
de como foi tranquila a loucura
de amar, constantes, nossa distância
e juntos, solidários, nos sentir sem cura
do mal que o amor na bondade alcança.